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Quais investimentos serão destaques em 2022?

Com a chegada de um novo ano, os investidores já se preparam para ajustar suas carteiras ao ciclo que se inicia. E ele promete ser desafiador.

Por conta dos efeitos trazidos pela Covid-19 — incluindo a sua recente variação, Ômicron —, a economia brasileira tem mostrado um desempenho fraco. Segundo o relatório Focus (produzido pelo Banco Central) de 20 de dezembro, a inflação (IPCA) segue como o principal fantasma da economia. Apesar de ter recuado em relação a novembro, o documento ainda registra variação de 10,04% no índice, pior resultado desde 2015, última vez em que a alta dos preços alcançou dois dígitos.

Para tentar controlar o indicador, o governo vem utilizando ao longo do ano a sua principal ferramenta de combate à inflação: a taxa Selic. Entre março e dezembro, a taxa básica de juros avançou de 2% ao ano (mínima histórica) para 9,25% a.a. 

Outro fator importante a se considerar é o câmbio. Também segundo o Focus, a moeda americana deve se manter no patamar de R$ 5,50 no próximo ano, influenciando diretamente a balança comercial e investimentos relacionados ao câmbio e setores “dolarizados” da economia, como exportadores de commodities.

Essa escalada de indicadores já começou a mudar a dinâmica do mercado de capitais. Confira quais investimentos ganham destaque (e quais podem perder) neste novo cenário.

País da Renda Fixa

Ao longo da sua história, o Brasil ficou conhecido como “País da Renda Fixa” ou “Paraíso dos Rentistas”, isso porque sempre foi uma economia baseada em juros altos. Para se ter uma ideia, em 1999, o índice chegava aos 45% ao ano e, ao longo dos anos 2000, poucas vezes esteve abaixo dos 10% ao ano. 

Em um cenário como esse, a renda fixa torna-se atrativa para os investidores. Títulos públicos, como o Tesouro Direto; e privados, como os CDBs, têm opções pós-fixadas com rentabilidade indexada à taxa de juros e trazem riscos baixos para os investidores. Ou seja: sempre foi mais confortável para os poupadores crescer o patrimônio investindo nesse tipo de ativo. O cenário mudou a partir de 2017, quando os juros passaram a ficar abaixo de 10%, e se intensificou em 2020, com a chegada da pandemia. A       derrubada dos juros à sua mínima histórica pela equipe econômica teve como objetivo estimular a economia. Para isso, baixou a Selic como forma de baratear o crédito. 

Porém, para os investidores foi necessária uma mudança de mentalidade. Se antes era mais simples conseguir 15% de rentabilidade bruta ao ano com títulos de baixo risco, passou a ser necessário buscar oportunidades em aplicações de maior risco, como a bolsa de valores. Não por acaso, a B3 viu o número de pessoas físicas disparar: segundo dados da bolsa, em 2017, aproximadamente 620 mil pessoas tinham contas abertas em corretoras para investir em renda variável. Esse número saltou para 3,2 milhões em 2020 e, neste ano, chegou ao patamar de 4 milhões. O resultado é um aumento de mais de 600% nos últimos quatro anos.

Contudo, a projeção do Relatório Focus para 2022 é de a Selic novamente voltar aos dois dígitos, alcançando até 11,25%, segundo os especialistas consultados pelo Banco Central. 

De volta ao porto seguro

Com o ciclo de alta da Selic, os títulos públicos voltam a ganhar relevância. Segundo o site oficial do Tesouro Direto, na penúltima semana de dezembro, os títulos prefixados já trazem rentabilidade de mais de 10% ao ano. Com novos aumentos da Selic, a tendência é que esse patamar de rentabilidade também suba.

Outros títulos governamentais, como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+, que são indexados respectivamente à taxa de juros e à inflação, também devem ganhar relevância no próximo ano, devido ao cenário de alta que se projeta para ambos os indicadores.

Da mesma forma que os títulos públicos, ativos privados de renda fixa, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), além das debêntures, também devem oferecer melhor rentabilidade.

E a renda variável?

Segundo análise da XP Investimentos, além do cenário macroeconômico desafiador, o fato de 2022 ser um ano eleitoral também deve influenciar a dinâmica da renda variável. Historicamente, diz o documento, anos de eleições presidenciais costumam trazer mais volatilidade para os papéis da B3, algo a que os investidores devem ficar atentos.

Porém, segue o relatório, a bolsa está barata quando são analisados fatores como preço por lucro em relação aos papéis da renda fixa e até em relação a outras bolsas mundiais. A equipe de analistas da XP sugere que as melhores estratégias para a bolsa incluirão papéis ligados a commodities (que ganham relevância com dólar valorizado), empresas tradicionais, isto é, aquelas já estabelecidas nos seus segmentos e que são menos afetadas pelas mudanças do cenário econômico; e também oportunidades específicas, isto é, empresas que desvalorizaram na bolsa de forma relevante nos últimos tempos e que, por isso, tem o valor das ações atualmente descontado do que realmente valem.

Relacionando todos esses fatores, o relatório da XP Investimentos prevê o Ibovespa em 123 mil pontos no final do ano que vem, no cenário base. A mais pessimista das projeções coloca o principal índice de desempenho da bolsa de valores em 93 mil pontos, patamar mais baixo desde janeiro de 2019 — excluindo-se a queda generalizada da bolsa ocorrida em março de 2020. 

Com expectativa de grandes emoções para a bolsa, como os FIIs devem se comportar no próximo ano?

Também produtos de renda variável, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) também experimentaram um período de queda expressivo ao longo de 2021. O IFIX, índice que mede o desempenho dessa classe de ativos, acumulava perdas de 5,90% em 21 de dezembro. O resultado, porém, já mostra uma recuperação da modalidade, que chegou a registrar queda de 9% no final de novembro. Quer saber como funciona o IFIX? Então confira este texto do nosso blog!

O índice, assim como o Ibovespa, traz uma média de desempenho do mercado e é possível encontrar oportunidades ao se analisar os diferentes tipos de FIIs disponíveis no mercado. O Fundo de Investimento Imobiliário TG Ativo Real (TGAR11), gerido pela TG Core, por exemplo, anotou alta de 0,33% no final do segundo trimestre, enquanto à época o IFIX registrava perdas de 3,24%. Para saber mais sobre os resultados do fundo, acesse a página oficial do TGAR11!

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