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Aumento de preços dos materiais traz desafios para setor de construção civil em 2021

O setor de construção civil teve uma boa performance em 2020, puxada principalmente pelos juros mais baixos nos financiamentos imobiliários. Por outro lado, um grande entrave do setor no ano passado foi o alto custo das matérias-primas.

O Índice Nacional de Custo da Construção, calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), mostrou que o grupo “Materiais, Equipamentos e Serviços” tiveram elevação acumulada de mais de 15% ao longo do ano. Números mais recentes, de janeiro de 2021, apontam que a alta continua: houve avanço de 1% em janeiro em relação ao mês anterior. No acumulado de 12 meses, o crescimento já supera os 17%.

Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em entrevista para a Agência Brasil, essa foi a “maior alta desde o Plano Real” registrada pela categoria. Ela compreende insumos como cimento, aço e tijolo, componentes de hidráulica e elétrica, além das despesas nas áreas administrativa e operacional relacionadas às construções. Porém, essas despesas ficaram estáveis. O que subiu mesmo, foi a conta nos depósitos de materiais de construção.

O aumento brusco gerou, inclusive, reclamações de entidades de trabalhadores do setor. Elas chegaram a acionar o Procon de São Paulo (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) sobre os avisos padronizados de aumento de preços realizado por cimenteiras a partir de julho do ano passado.

O que diz o CBIC?

À época, o presidente da CBIC, José Carlos Martins, comentou que a alta se deu por conta de falta de oferta dessas matérias-primas no mercado. Causada por – nas palavras do presidente – um “falso desabastecimento” oriundo a partir da chegada da pandemia. Martins afirmou que fornecedores diminuíram a oferta de materiais e aumentaram os preços para garantir os faturamentos. Isso resultou na atual crise de preços no mercado mesmo com o cenário positivo para a venda de imóveis. Diante disso, a CBIC protocolou, em setembro de 2020, um documento relatando o problema e oferecendo soluções para a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia.

Com o cenário econômico ainda volátil por conta da pandemia, que segue em 2021, entidades e empresas do setor lutam por um pacto com fornecedores. O objetivo é que o equilíbrio de preços seja atingido, viabilizando, desse modo, os lançamentos.

Como estará o mercado de imóveis residenciais em 2021?

Apesar da preocupação com a inflação dos materiais, o mercado imobiliário deve continuar aquecido neste ano. Segundo projeção divulgada em fevereiro pelo Boletim Focus, do Banco Central, a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) deve subir para 4% ao ano ao longo de 2021. Isso representa o dobro do praticado nos últimos meses do ano passado, quando alcançou a sua mínima histórica (2% a.a). Apesar do aumento, o cenário ainda favorece os financiamentos, ajudando a fomentar o mercado de construção civil.

Segundo pesquisa da CBIC, lançada no quarto trimestre de 2020, é fora dos grandes centros urbanos do país que aparecem os números mais expressivos do mercado. O levantamento feito com 150 cidades de todo o Brasil mostrou que as regiões norte, nordeste e centro-oeste tiveram aumentos expressivos da quantidade de lançamentos. Apenas nos Estados do norte do país, o aumento de oferta de empreendimentos cresceu 68% na comparação do quarto trimestre do ano passado com 2019. No mesmo período, a região sudeste – onde estão localizadas algumas das principais capitais -, apresentou queda de 9,3%.

Os números se repetem com intensidade também em outros indicadores, como vendas: no Sudeste, houve queda de 9% no período; na região Nordeste, verificou-se aumento de 56%; no Norte foi evidenciado 91% de crescimento. Guardadas as diferenças de volume entre as regiões, os dados apontam para um expressivo desenvolvimento das regiões fora do Centro-Sul.

O que os consumidores querem?

Como sabemos, a atividade imobiliária não depende somente de custos e preços, mas também de oferecer o que o consumidor procura. A mesma pesquisa da CBIC entrevistou 1.200 pessoas no ano que passou e revelou que 16% deles pretendiam trocar seus imóveis por outros com mais espaço. Essa foi uma tendência que se acentuou com a pandemia da Covid-19, a partir da necessidade de muitas pessoas trabalharem em home office. À época, a procura por casas ou lotes residenciais aumentou cerca de 200%.

As circunstâncias que alimentaram a busca por essa interpretação de morar melhor colocaram os loteamentos no radar de quem busca um novo lar, tendência que deve se acentuar nos próximos anos. Para saber mais, confira este nosso texto sobre o tema!

O que isso significa para o investidor?

Mesmo com os desafios das incorporadoras em manterem preços atrativos apesar do encarecimento dos materiais, alocar recursos no mercado imobiliário ainda pode ser atrativo para os investidores. Basta procurar as melhores oportunidades que se adequem ao perfil do investidor.

Para quem está satisfeito com o local onde mora, mas quer se beneficiar do momento do segmento imobiliário, nos últimos anos os fundos de investimentos com foco nesse segmento têm se mostrado um caminho atrativo. Só em 2020, produtos como, por exemplo, os FIIs (fundos de investimento imobiliário) passaram de um milhão de cotistas e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) registrou 509 novos fundos, um crescimento de 9,6% em relação ao ano de 2019.

Olhando novamente para as oportunidades que surgem fora dos grandes centros urbanos e em linha com o interesse crescente dos consumidores por loteamentos, estão surgindo no mercado iniciativas interessantes para quem quer investir.

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Ainda não sabe o que são Fundos de Investimento Imobiliário? Leia esta matéria que explica sobre o tema 

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