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Mercado de Multipropriedade Imobiliária

Mercado de multipropriedade imobiliária cresce 18% em 2020 e deve chegar a R$ 24,1 bilhões 

As multipropriedades imobiliárias ganham mais adeptos a cada ano. A modalidade existe há mais de três décadas no Brasil, mas começou a ganhar tração mais recentemente, o que levou à sua regulamentação em 2018 (Lei Federal 13.777/2018). De lá para cá, o monitoramento anual do Secovi (Sindicato da Habitação) registrou aumentos sucessivos no segmento.  

Em 2019, o sindicato apontou que o mercado movimentou R$ 22,3 bilhões em VGV (valor geral de vendas). Em 2020, mesmo diante da pandemia da Covid-19, o segmento que voltou a crescer 18%, totalizando R$ 24 bilhões. 

Para os analistas do Secovi os bons ventos não devem parar de soprar tão cedo, pois o mercado está com “a faca e o queijo na mão”: existe demanda (segundo eles, o mercado de turismo dobrou nos últimos 20 anos entre as classes A, B e C), além de regulamentação adequada e incorporadores e operadores capacitados. “A questão é saber trabalhar da forma correta e, assim, assegurar a continuidade e o fomento do mercado em bases saudáveis”, diz a entidade no seu relatório anual, específico para o setor. 

Mas como funciona o mercado de multipropriedades imobiliárias? 

Ter custos apenas com os dias do ano em que se usa o imóvel é o sonho de quem tem uma casa de veraneio. Quase sempre a relação custo/benefício de se possuir um refúgio de temporada é questionável: ter à disposição um imóvel no campo ou na praia para ir quando quiser é um grande atrativo, mas quem tem tempo para viajar quando quer? E uma propriedade parada torna-se um vetor de gastos correntes, como manutenção, impostos e pagamentos mínimos dos serviços de concessionárias de energia e saneamento. Melhor não ter, então? Não é por aí. 

Parte do conceito contemporâneo de “economia compartilhada”, fomenta a ideia de que o “usar” vem antes do “ter”, de modo que os projetos de multipropriedade solucionam boa parte dos inconvenientes citados acima. Em vez de comprar um imóvel, a ideia é adquirir uma parte dele – pela fração correspondente do preço e com escritura proporcional – e o direito de utilizá-lo como bem entender por um período determinado do ano.  

Todos os custos são divididos com os outros proprietários e cada um arca com o quinhão relativo ao seu tempo de utilização – normalmente dividido em semanas pelas administradoras. Sim, os projetos contam com uma empresa para gestão não só da parte financeira, mas também para manter os imóveis sempre em condições de uso entre a saída de um cotista e a entrada de outro, incluindo limpeza e manutenções. 

Se essa pareceu uma maneira interessante de economizar com as férias, para alguns investidores a modalidade está com cara de oportunidade de potencial ganho de rentabilidade. 

Como adquirir multipropriedades imobiliárias? 

O sistema funciona com “cotas”, adquiridas, geralmente, com um valor de entrada e parcelas mensais que financiam a obra. Após a finalização da construção, você pode começar a usufruir do empreendimento nas datas estipuladas para seu uso ou colocar para alugar e obter a renda proporcional ao aluguel nos seus dias.  

Outra prática comum no segmento é a de trocar as semanas que você tem na sua casa por outras em algum imóvel administrado pela mesma empresa em um destino que tem interesse em conhecer. A maioria também oferece outros “mimos”, como descontos em passagens, reservas em hotéis e pacotes de viagem no Brasil e no mundo. 

E pelo lado do investidor que procura apenas rendimento, vale a pena considerar a opção? 

Diferentemente dos fundos de investimento imobiliários, nos quais você é dono de “papéis” do investimento, na modalidade de multipropriedades imobiliárias você é dono do objeto real que foi construído. Inclusive, com registro na escritura. Há vantagens e desvantagens nos dois formatos, dependendo de como se olha a questão e do seu perfil de investidor

Com os fundos, há mais liberdade para o gestor mudar as aplicações em busca de um melhor rendimento e é mais fácil comercializar as cotas (maior liquidez). Contudo, também podem ocorrer perdas.  

Já na multipropriedade você está “preso” àquele imóvel específico e tem menor liquidez, inclusive com o dinheiro “parado” durante o tempo de construção. O maior risco aqui é o mesmo de quem compra apartamento na planta: de a construtora não concluir o empreendimento. Porém, há grandes players no mercado que transmitem confiabilidade, basta pesquisar.  

Nesse modelo, as vantagens da multipropriedade conversam com quem tem perfil mais conservador, que acredita em investimento em imóveis físicos, quer ter seu nome na escritura e confia na estabilidade e valorização de longo prazo do mercado imobiliário. 

Outra opção é adquirir diferentes cotas, ao longo dos anos, e criar um portfólio diversificado, recebendo o rendimento dos aluguéis.  

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